O temível labirinto do Minotauro
>> 12 de mai. de 2010
Escritor(a) da Semana: Paulo Leminski
Estudar qualquer aspecto das obras de Paulo Leminski seria, de uma forma metafórica, perder-se no temível labirinto do Minotauro. A obra de Paulo Leminski apresenta uma pluralidade inigualável, além de ser extremamente volumosa. Todavia, a sua obra é bastante desconhecida.
isso de querer ser
exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além
Das narrativas, “Catatau” é a sua obra de maior destaque, em seu sentido revolucionário do uso da língua, em que o conteúdo apresenta-se como o ideal para a proposta de atividade lingüística na obra.
Este mundo é o lugar do desvario, a justa razão aqui delira. Pinta tanto bicho quanto anjo em ponta de agulha bizantina, a insistência irritante desses sisteminhas nervosos em obstar uma Idéia! Nunca se acaba de pasmar bastante, novo pânico põe fora de ação o pensamento. Trecho do Catatau, página 18.
O livro Catatau está dispinível na rede Portugues seed. pr.gov
Post em agradecimento ao meu amigo Victor
Estudar qualquer aspecto das obras de Paulo Leminski seria, de uma forma metafórica, perder-se no temível labirinto do Minotauro. A obra de Paulo Leminski apresenta uma pluralidade inigualável, além de ser extremamente volumosa. Todavia, a sua obra é bastante desconhecida.
A produção de Leminski é escassa não só nas livrarias como também nas diversas bibliotecas. La vie en close e Distraídos Venceremos são os livros de poemas que, por serem recentes, são mais encontrados. A sua coletânea de correspondência Uma carta uma brasa, realizada com Régis Bonvicino também é de publicação acessível, assim como Metamorfose. Livros como Catatau (prosa poética), 40 clics (poesia), bem como a reunião de seus ensaios-biografias (Bashô, Jesus Cristo, Trotski e Cruz e Souza) são raros quando se tratam de re-edições.
Paulo Leminski é curitibano e nasceu no dia 24 de agosto de 1944. Tinha ascendência negra por parte da mãe e era neto de colonos poloneses, mistura étnica que o poeta se orgulhava muitíssimo. O pai era militar e, por esse motivo, passou grande parte da sua infância no interior de Santa Catarina, local onde sentiu a presença de Cruz e Souza, poeta que ele admirava bastante. Em sua infância, já aos cinco anos, lia compulsivamente. Pode-se considerar que Leminski não teve uma infância como fonte de inspiração posterior. Há poucos registros poéticos que fazem referência a essa parte específica de sua vida. Os dois poemas a seguir fazem referências diretas à sua mãe, sendo o primeiro poema a expressão de um lirismo carregado:
1. lá fora e noalto o céu faziatodas as estrelas que podiana cozinhadebaixo da lâmpadaminha mãe escolhiafeijão e arrozandrômeda para cáaltair para lásirius para cáestrela – d’alva para lá.
2.minha mãe dizia— ferve, água!— frita, ovo!— pinga, pia!e tudo obedecia.
Há, em sua biografia, registro do poema, "Os sapos", escrito aos oito anos de idade, fato, esse, que demonstra o interesse precoce de Leminski pela literatura.
Deve, acima de tudo, ter sido um menino extremamente curioso e questionador.Conforme Alice Ruiz, no prefácio de 2ª edição do livro Vida, consta que Paulo Leminski foi seminarista, ou seja, ele entra no semi-internato religioso bastante jovem, ainda com 11 anos. Nesse período, seus estudos de latim e grego foram aperfeiçoados.
Aqui cabe explicar que se Leminski sabia latim não era como uma forma de preservar um purismo ou um elitismo intelectual, já que mais tarde se utiliza desse conhecimento para traduzir Satiricon, de Petrônio.
Já no início dos anos 60, começava a estudar japonês. O interesse de Leminski pela cultura oriental começou na academia de judô em que treinava. Ele era faixa preta; e em seu livro Bashô, recomendava que aquelas pessoas que quisessem entender o que era ser zen deveriam matricular-se “na mais próxima academia de artes marciais”.
Na concepção oriental, as lutas marciais não pressupõem a agressão e nem o revide, como levanta Toninho Vaz. As lutas oferecem o vazio ao outro, o silêncio, assim como na produção de haicais e na disposição deste tipo de poema no livro: um haicai perdido em toda uma grande página de papel é um silêncio enorme.Um ponto em comum em todas as obras de Lemisnki é a presença do fragmentário como o bastante e o necessário informacional. É a aposta na dilatação de possibilidades que trará em um texto, aparentemente pobre, as virtudes de hiperinformação exigidas pelo contexto.
INCENSO FOSSE MÚSICAisso de querer ser
exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além
Das narrativas, “Catatau” é a sua obra de maior destaque, em seu sentido revolucionário do uso da língua, em que o conteúdo apresenta-se como o ideal para a proposta de atividade lingüística na obra.
Este mundo é o lugar do desvario, a justa razão aqui delira. Pinta tanto bicho quanto anjo em ponta de agulha bizantina, a insistência irritante desses sisteminhas nervosos em obstar uma Idéia! Nunca se acaba de pasmar bastante, novo pânico põe fora de ação o pensamento. Trecho do Catatau, página 18.
O livro Catatau está dispinível na rede Portugues seed. pr.gov
Post em agradecimento ao meu amigo Victor

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